Viés de ancoragem: entenda a relação com suas decisões financeiras

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Dentro do estudo das finanças comportamentais, o viés de ancoragem é mais uma das posturas perigosas com relação ao seu dinheiro.

Ele tem relação indireta com o comportamento de manada, já que é uma forma irrefletida de agir. Assim, se caracteriza como um problema, em função das armadilhas que podem surgir quando se manifesta.

O viés de ancoragem é especialmente nocivo quando engloba decisões financeiras e sobre investimentos, já que impede uma análise mais aprofundada a respeito de um ativo. Portanto, evitá-lo é fundamental para quem quer fazer escolhas melhores na vida, nos negócios e na hora de aplicar o seu dinheiro.

Quer saber mais sobre o assunto e entender como evitar esse comportamento? Continue lendo e confira!

Viés de ancoragem: o que é?

Também conhecido como efeito de ancoragem, esse é um entre os vários vieses cognitivos listados pela psicologia moderna. Ele se caracteriza pelo comportamento no qual decisões são tomadas levando em conta apenas uma referência ou dado.

Esse tipo de condicionamento tem uma relação estreita com a curiosa Teoria do Charuto. Trata-se de um experimento cuja origem é desconhecida, em que é sugerido ao participante anotar os dois últimos números do seu CPF em um papel.

Em seguida, é sugerida uma situação na qual a pessoa terá que presentear alguém com um charuto, devendo escrever o preço que ela acredita que ele tenha ao lado do número do CPF.

Na maioria dos casos, esse valor se aproxima ao dos números do seu documento, comprovando a tendência em decidir sem planejamento e com base apenas na referência mais recente que se tem.

O viés de ancoragem nas suas decisões

O que destacamos até aqui é o processo mental de escrita. Quando não se tem tanta prática, é muito comum a repetição de palavras ao longo de um texto – via de regra, em uma mesma frase ou parágrafo.

Isso acontece porque o cérebro humano procura sempre um apoio, uma “âncora” na qual possa fundamentar as decisões.

O viés também se manifesta em situações nas quais não há nenhuma referência prévia para basear uma decisão e, na falta de dados, a primeira que aparece é imediatamente adotada. O experimento do charuto evidencia isso, aliás.

Efeitos do viés de ancoragem nas finanças

Compras feitas por impulso também podem ser desencadeadas por esse viés comportamental. Nos investimentos, utilizar o viés de ancoragem tem um alto potencial de induzir ao erro. Por essa perspectiva, é comum fazer comparações superficiais e, portanto, sem qualquer embasamento.

Por exemplo, digamos que você viu o preço de uma ação a R$ 40,00, enquanto uma outra custa R$ 20,00. Pelo viés de ancoragem, a tendência é achar que a de R$ 20,00 é mais vantajosa, apenas porque uma que custa o dobro foi apresentada antes.

Acontece que o valor de uma ação é definido por uma série de critérios. Assim, dizer se ela está com um bom preço de compra depende de vários fatores, entre os quais não está o custo de outra ação.

Evite o viés de ancoragem em 4 dicas

Como visto, o viés de ancoragem é potencialmente perigoso, porque leva a pessoa a tomar decisões baseadas em uma perspectiva bastante limitada.

No aspecto financeiro, ele leva a comportamentos irracionais, ainda que a pessoa não perceba. Na verdade, quem age conforme esse viés tende a achar que está tomando uma decisão bem fundamentada. Ou seja, é uma armadilha que construímos contra nós mesmos

Mas o que fazer para escapar dela? É o que ensinamos a seguir.

1. Tome decisões bem fundamentadas

Âncoras só são úteis quando estão prendendo navios a um cais, ao leito do mar ou de um curso d’água. No ramo financeiro, e até em outras áreas da vida, ancorar-se em um dado ou na referência mais recente é algo que deve ser evitado.

Por isso, ao decidir sobre um investimento, procure saber se os fatores tomados como referência têm uma base sólida ou se estão ancorados arbitrariamente. Além disso, tome cuidado com pretensos “especialistas” que se aproveitam do viés de ancoragem para lucrar em cima da boa fé alheia.

2. Informe-se sobre os indexadores financeiros

No mundo das finanças, o preço e o rendimento de ações e títulos dependem dos chamados indexadores. Entre os principais, no Brasil, estão o CDI, a taxa Selic e o câmbio.

Assim sendo, para saber se um ativo valorizou-se ou não, use esses indicadores como base e tome suas decisões de forma mais consciente.

3. Evite decisões por impulso

Ainda que até tenha algumas similaridades, o mercado financeiro não é um ambiente de apostas. Além do que, até nos jogos de azar, é preciso pensar estrategicamente e ter critérios para decidir onde aplicar o dinheiro. Logo, a pior coisa que se pode fazer é seguir o viés de ancoragem e agir com base em um impulso.

4. Questione enquanto puder

Não podemos deixar de associar esse tipo de comportamento com uma certa tendência à acomodação. Afinal, é muito mais confortável e rápido decidir “de primeira” do que pesar prós e contras ou analisar dados e informações nem sempre simples de se obter.

Dessa forma, o comportamento oposto ao viés de ancoragem é o espírito crítico e o questionamento constante.

Ficou claro o que isso significa e os impactos negativos que essa postura equivocada pode gerar, não? Então, comece a aplicar nossas dicas e evite esse comportamento.

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