Tábua de mortalidade: entenda o que é e como impacta a previdência privada

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A Reforma da Previdência trouxe incertezas e dúvidas sobre as possibilidades de aposentaria pelo INSS, o que levou diversas pessoas à contratarem a Previdência Privada como forma de garantir uma renda melhor no futuro.

Com isso, as perspectivas são maiores e quem investe na aposentadoria complementar para ter um bom rendimento, com menores deduções fiscais pode se beneficiar com a tábua de mortalidade ou biométrica e atuarial, como também é conhecida.

Se você deseja saber o que é e como funciona a tábua de mortalidade, continue a leitura deste post para entender o possível impacto da sua aplicação na renda final do plano de previdência!

O que é a tábua de mortalidade?

Quem contrata um plano de previdência privada tem um prazo de vigência e pagamento até se tornar a renda efetiva, quando chega a aposentadoria. Caso seja um plano de renda vitalícia, para definir esse valor é preciso calcular, aproximadamente, a idade dos clientes.

A tábua da mortalidade é que faz esse cálculo, ou seja, quando alguém chega à idade da aposentadoria aos 65 anos e uma expectativa de vida até os 80 anos, com um contrato vitalício é preciso calcular o saldo restante.

Para calcular, a previdência faz a divisão do saldo acumulado desde o ato da contratação pelos anos correspondentes à diferença entre a idade da aposentadoria e a idade estimada.

Nesse exemplo, vamos imaginar um saldo acumulado de R$ 500 mil dividido por 15 anos. Um resultado médio de R$ 33.333,00/ano e R$ 2.777,00/mês. Os anos de expectativa são calculados pela tábua de mortalidade com base nas cláusulas do contrato. 

Como as tábuas de mortalidade são classificadas?

A tábua atuarial possui classificações que consideram alguns aspectos de um grupo populacional. São incluídas questões como tipo de seguro, grupo de risco, sexo e demais informações relevantes para um cálculo preciso.

Contemporâneas

Para realizar o cálculo nesse tipo de tábua, as informações coletadas são referentes à uma população fictícia para o período de um ano (anual) ou mais anos (plurianuais). A estimativa calculada para um número médio de 100 mil pessoas considera as condições da mortalidade dentro de cada idade nesse período.

Longitudinais

Também conhecidas como geracionais, as tábuas realizam o cálculo baseado em uma coorte (grupo de indivíduos) que nasceram no mesmo ano — para que o cálculo seja correto é preciso considerar a idade desde o nascimento até a morte de um indivíduo.

Completas

Há intervalos de idade na tábua e no caso da completa o cálculo é anual, considerando a idade desde quando o indivíduo nasce, até o limite exato de 80 anos, considerado como expectativa máxima de vida.

Abreviadas

Nesse mesmo contexto de cálculo realizado por intervalos, as tábuas abreviadas levam em conta o grupo de idade para a realização dos cálculos.

Selecionadas

Cálculo de probabilidade feito pela seleção da idade de cada pessoa.

Finais

Nas tábuas finais utiliza-se as informações contidas na última coluna de uma tábua selecionada e considera-se que o período selecionado já não mais impacta na mortalidade.

Estáticas

O cálculo da tábua é realiza apenas sobre uma idade, por isso, são chamadas de tábuas estáticas.

Dinâmicas

Para cálculo das tábuas dinâmicas são usadas as informações de idade biológica dispostas em linha e do tempo cronológico, por ano, apresentado em coluna.

Quais são as principais tábuas de mortalidade?

Por muitos anos, no Brasil foram utilizadas tábuas de mortalidade americanas e se referiam à expectativa, em anos, do tempo de vida de uma pessoa idosa — o cálculo era atualizado de acordo com a expectativa prevista na tábua anterior, considerando a situação no ano de vigência. São elas:

  • AT-1949
  • AT-1983
  • AT-2000 

BR-EMS

Em 2010 foi criada a tábua de mortalidade brasileira em substituição aos modelos americanos. As diferenças significativas permitiram que o cálculo passasse a ser realizado com base nos dados brasileiros, com uma expectativa de vida menor do que a da população americana.

É uma tábua que traz vantagens para o público contratante, normalmente composto de pessoas com uma renda mais alta. Caso fosse calculado pela tábua atuarial americana, com uma expectativa de vida maior, o participante brasileiro, possivelmente, não conseguiria usufruir da divisão do saldo.

A tábua BR-EMS tem agendamento de atualização automática da expectativa de vida a cada cinco anos, tendo a primeira revisão acontecido em 2015, logo, a próxima deve acontecer no ano de 2020.

Qual a relação entre as tábuas de mortalidade e a previdência privada?

As tábuas são utilizadas pela previdência para cálculo da modalidade de renda que o participante poderá contratar na aposentadoria. De acordo com o contrato, o cálculo da tábua pode favorecer o valor final previsto na divisão do saldo acumulado.

Por isso, é recomendável que o participante analise bem todos os critérios e possibilidades de ganhos depois que se aposentar, antes de cogitar uma possível portabilidade da previdência. Um novo contrato pode não ser contemplado pelo tipo de tábua.

Conclusão

Criada e usada para calcular a expectativa de vida média do investidor nos casos de renda vitalícia, a Tábua Atuarial (ou de Mortalidade) apresenta os valores estimados de renda depois da aposentadoria.

Quem  contratou uma previdência privada com base nas tábuas americanas e desejar alterar para o modelo brasileiro, deve atentar para as regras do ano contratado e também para a atualização automática da expectativa de vida brasileira.

Enquanto os planos anteriores a 2010 mantêm a tábua de mortalidade do contrato, para os contratos depois desse ano, a atualização a cada cinco anos pode não ser benéfica e rentável, pois o saldo considerará a tábua a partir da aposentadoria e valores corridos com base no índice inflacionário, o que elimina o rendimento real dos planos anteriores.

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