Previdência privada ou fundos de ações: como escolher

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Previdência privada ou fundos de ações

No momento de buscar uma aposentadoria, muitos ficam em dúvida entre a previdência privada ou fundo de ações. Conheça cada uma.

Escolher entre previdência privada ou fundos de ações é um dos primeiros passos para quem busca uma aposentadoria tranquila.

Você precisa definir uma estratégia vitoriosa agora, quando está começando a investir, para colher os frutos no futuro.

Em primeiro lugar, entenda que tanto os planos de previdência privada como os fundos de ações funcionam, na prática, como fundos de investimento.

Você deposita um valor e faz aportes recorrentes para que o gestor da previdência privada ou do fundo de ações defina qual será o destino do recurso.

A lógica da acumulação de patrimônio é semelhante, mas há diferenças no que diz respeito às taxas, à tributação, à portabilidade e ao prazo de cada investimento.

Neste artigo, você vai entender quando faz sentido escolher planos de previdência privada, e quando os fundos de ações podem ser a melhor alternativa.

Previdência privada ou fundos de ações: o que é o quê

Embora planos de previdência privada e fundos de ações sejam maneiras de acumular patrimônio com foco no longo prazo, há diferenças relevantes entre eles. Acompanhe.

O que é previdência privada

Planos de previdência privada permitem que você complemente a sua aposentadoria pública, gerida pelo INSS, ou acumule patrimônio com outro objetivo de longo prazo, como financiar a universidade do seu filho ou comprar um apartamento.

Funciona assim: você contrata um plano de previdência privada, deposita um valor inicial e passa a fazer aportes regulares.

Enquanto você vai aportando, os gestores decidem o melhor destino para o seu investimento, dependendo do regulamento do plano de previdência privada que você escolheu.

Há planos de previdência privada que investem em fundos de renda fixa, de ações, multimercado e balanceados, dependendo da exposição ao risco que o investidor aceita.

Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), porém, mais de 90% dos recursos dos planos de previdência privada estão aplicados em fundos de renda fixa.

Isso porque o perfil do investidor brasileiro que investe para a própria aposentadoria é de aversão ao risco — ele não quer ver o patrimônio oscilando negativamente ao longo do tempo, e aceita uma rentabilidade menor por isso.

Terminado o prazo do investimento no plano de previdência privada, você tem duas opções: ou passa a receber um “salário” mensal para complementar a sua renda na aposentadoria, proporcional ao tempo e aos valores que você investiu, ou resgata todo o patrimônio acumulado.

Portanto, ao contrário da previdência pública, em que o seu dinheiro é utilizado para financiar a aposentadoria de quem já se aposentou, na previdência privada o dinheiro que você aporta volta para você no futuro, de uma forma ou de outra.

O que é fundo de ações

Os fundos de investimento em ações aplicam os recursos dos cotistas em ações do mercado financeiro, com o objetivo de buscar uma rentabilidade superior ao índice Ibovespa no médio e longo prazo.

O funcionamento de um fundo de ações é semelhante à lógica de um condomínio. Quando você investe no fundo, você compra cotas, e se torna um cotista.

Os gestores são especializados no mercado de ações, e investem os recursos do fundo para garantir o maior retorno possível — considerando, é claro, a relação entre o risco e o retorno esperado.

Conforme o patrimônio do fundo se valoriza, as cotas que você comprou se valorizam na mesma proporção.

O regulamento dos fundos de ações variam, mas, pela legislação, eles precisam aplicar pelo menos 67% dos recursos do fundo no mercado de ações.

Quando previdência privada é melhor que fundo de ações

Em relação aos fundos de ações, os planos de previdência privada têm vantagens principalmente no que diz respeito à tributação no longo prazo.

Existem basicamente dois tipos de planos de previdência privada: o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

A principal diferença entre eles é o regime de tributação. Para quem faz a declaração simplificada do imposto de renda, a melhor opção é o VGBL, porque somente a rentabilidade do plano é tributada.

Já quem faz a declaração completa do IR pode ter acesso a um benefício que apenas os planos de previdência privada concedem: o abatimento no imposto de renda, no limite de 12% da renda anual, investindo nos PGBL.

Se essa a sua prioridade é o abatimento no imposto de renda, os PGBL são mais recomendados dos que os fundos de ações.

Além dessa vantagem da tributação, os planos de previdência privada não possuem os come-cotas, que estão presentes em fundos de investimento.

Porém, as taxas dos planos de previdência também precisam ser consideradas, porque a taxa de carregamento, por exemplo, que incide sobre cada aplicação, não existe nos fundos de investimento.

Outra situação em que os planos de previdência privada são mais vantajosos do que os fundos de ações diz respeito à portabilidade do investimento.

Digamos que você deseje migrar o patrimônio de um fundo de ações para outro. Nesse caso, você precisará pagar o imposto de renda no momento do resgate. Agora, se você deseja migrar um plano de previdência, basta fazer a portabilidade, não é necessário sacar os valores e pagar o imposto nesse momento.

Além disso, os planos de previdência privados são mais indicados para quem está pensando em construir uma herança, ou já pensa no planejamento sucessório. Isso porque o valor investido não entra necessariamente em inventário.

E se você quiser investir em um plano de previdência privado, mas também se expor à renda variável?

Não tem problema. Os planos de previdência privada voltados à renda variável podem investir até 70% em ações. Para investidores qualificados, que possuem mais de R$ 1 milhão aplicados, esse percentual pode chegar a 100%.

Portanto, o argumento de se expor à renda variável não é suficiente para escolher fundos de ações em detrimento dos planos de previdência, já que, embora eles não sejam maioria, há planos de previdência autorizados a investir em ações. 

Quando fundo de ações é melhor que previdência privada

Os fundos de ações podem ser mais interessantes do que os planos de previdência privada em algumas situações, que analisaremos a seguir.A primeira delas é um horizonte de investimento um pouco menor, inferior a dez anos.

Em um prazo menor de dez anos, o imposto de renda cobrado dos fundos de ações pode ser menor do que os planos de previdência privada.

Na previdência privada, a tributação nos primeiros anos começa pode ser de 35%, ou 27,5%, dependendo do regime de tributação que você escolher. Já nos fundos de ações, a tributação máxima é de 22,5%, e a mínima de 15%.

Portanto, em prazos inferiores a 10 anos, os fundos de ações têm uma tributação mais vantajosa do que os planos de previdência privada.

Mas fique atento: boa parte dos fundos de ações recomendam o investimento para o longo e longuíssimo prazo. Por isso, 10 anos podem não ser suficientes para que a rentabilidade compense.

Outra vantagem dos fundos de ações pode ser a rentabilidade da aplicação.Via de regra, os gestores mais qualificados do mercado na análise de empresas comandam fundos de ações.

Se você quiser diversificar a sua carteira e se expor à estratégia de diferentes gestores, a opção será pelos fundos de ações.

Finalmente, costuma haver uma diferença na mentalidade de quem investe em planos de previdência privada e de quem investe em fundos de ações.

Enquanto a previdência privada tende a reunir investidores mais conservadores e cautelosos, que desejam segurança, os fundos de ações tendem a contar com cotistas de perfil mais arrojado, que aceitam a volatilidade do mercado de ações.

Mas, como vimos, há planos de previdência privada que possuem permissão de investir em fundos de ações, então cabe a você decidir o que faz mais sentido.

Para tomar a melhor decisão entre previdência privada ou fundos de ações, você vai precisar comparar as taxas e a tributação de cada fundo ou plano de previdência.

Mais importante do que isso, porém, é entender a filosofia de investimento de cada aplicação, para descobrir se ela se encaixa no seu perfil de investidor.

De qualquer forma, a diversificação sempre é a melhor dica para quem está escolhendo onde investir. Dessa maneira, você dilui riscos e consegue obter o melhor de cada investimento.

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